Não há nada melhor do que se sentir amado(a). É verdade que não deveríamos procurar outra pessoa para nos sentirmos completos, mas diante de um amor jovem incondicional, não há nada que se possa realmente fazer para evitar isso. Estou errado(a)?
Não há nada melhor do que se sentir visto(a). Não consigo me lembrar de como era viver antes de te conhecer. É como se eu tivesse renascido depois que você me notou. O mesmo lugar, a mesma hora, mas propósitos diferentes, nos trouxeram para um relacionamento sem o qual não consigo viver.
Não há nada melhor do que se sentir ouvido(a), se sentir valorizado(a). Eu acordo e vou dormir pensando em você. Sei que talvez você esteja cansado(a) de falar comigo o dia todo, mas não consigo evitar o impulso de apenas te observar, de estar perto de você, de fazer parte da sua vida. Sinto que estou ficando mais emaranhado(a) em sua rede cada vez que pensamos em um futuro juntos. Cada plano é uma promessa de que estarei para sempre ao seu lado.
Ou era o que eu pensava.
Mas os olhos nunca mentem... Eu deveria ter notado.
Algo mais chamou sua atenção, e eu não percebi. Você está sempre sorrindo, sim, mas não comigo. Eu era apenas um(a) espectador(a). Eu me iludi desde o começo? Eu vi apenas o que eu queria ver em você? Isso não parece certo.
Eu pensei que você era meu(minha). Você é meu(minha), certo? Não sei quem sou sem você; estou perdido(a), e isso não é bom. Sinto-me marcado(a) porque, mesmo depois de todos esses anos, eu ainda penso em você. No entanto, você seguiu em frente.
Eu só não queria ver que você já tinha um porto seguro, e que não era eu.
Perseguir novas emoções é um vício.
Gastar como se pegasse o que já é meu. Amar como se não houvesse fim. Mentir como se atuasse.
Mesmo que nada disso seja real, Sinto como se fosse.
Preciso sentir.
Nem que as lágrimas se formem, Nem que me perca na euforia. No fim das contas, é esse o resumo de toda peça teatral: Comédia ou Tragédia.
Eu danço entre as duas, Sentindo a adrenalina da corda bamba.
São essas experiências que me fazem viva A beleza do mundo está nos sentidos Me segure. Me toque. Me beije. Me ame. Tudo intensamente — já que amanhã, eu não estarei aqui.
Na noite anterior, nua em sua cama. Na seguinte, apenas em seus pensamentos.
Sinta comigo esta noite, Porque amanhã chorará por cada palavra que se tornou literal.
“Quebre a perna.” “Globo da morte.” “Número final.”
Não mais me encontrará nos camarins, no auditório, nos palcos. Mas caída em meio à plateia, Pendurada entre os refletores, Entre as correias de cada motocicleta.
Serei celebrada por tudo que fiz. Cada erro, perdoado. Cada acerto, superestimado.
Uma parte de mim viverá nas memórias. A outra, no arrependimento de tudo aquilo que foi desperdiçado.
Hoje, sou caos. Amanhã, serei arte.
Era pequeno, gasto — mas meu.
Mesmo que tivesse sido usado por muitas antes de mim,
Agora era o meu espartilho.
Aos olhos de qualquer um, ao vê-lo em minhas mãos,
Estava claro que não caberia.
Não havia sido feito sob minhas medidas.
Não foi feito para mim,
Mas eu estava tão feliz por, enfim, me tornar adulta que não percebi.
Os papéis se inverteram.
Fui eu quem se esforçou para me moldar a você.
Me despi para que você pudesse continuar comigo,
Mesmo que isso significasse ficar vulnerável.
Era onde você queria estar, não era?
Debaixo de todas as minhas camadas de roupa.
Eu permiti.
Mesmo com o forro gasto,
Mesmo sentindo seu metal perfurar minha carne.
Mesmo sabendo que suas barbatanas deixariam marcas na minha pele.
Feridas… Cortes.
Não pude reagir à dor.
Não pude explicar o motivo de estar tão abatida.
Era o nosso segredo.
Ninguém entenderia o motivo de alguém tão jovem usar algo tão antiquado.
Não gostariam de ver que eu me tornei adulta.
Ou pior:
Tentariam tirá-lo de mim.
Quase deixei que fosse tarde demais quando finalmente reconheci seu estado:
Um espartilho velho. Gasto. Puído.
Suas barbatanas agarravam-se a mim como garras.
Seus nós, tão apertados, me impediam de pensar, privando meu cérebro de oxigênio.
Você fazia parte de uma velha fantasia:
Jovem. Tola. Inocente. Frágil. Indefesa.
Quando percebi que eu não fazia parte daquela peça, quis arrancar você.
Mas ao arrancar, só me restaram feridas.
Confiei tanto tempo no seu suporte que não consegui me sustentar sozinha.
Caí.
E pela primeira vez em muito tempo, me viram sangrar.
Todos os cortes agora fluíam livremente.
Achei que fosse morrer.
Meu espartilho nunca foi uma armadura para tempos difíceis.
Meu espartilho nunca foi um adereço para me deixar mais bonita.
Meu espartilho nunca foi a prova de que me tornei uma mulher.
Meu espartilho nunca foi meu.
E por mais que tenha sido uma lição dolorosa,
É bom, finalmente, poder respirar.
Barrabás,
Ladrão, assassino, um dos rebeldes que traíram a Roma.
Não me surpreendi com minha sentença, já que nasci em um cenário condenado.
Sabia que meus atos terminariam em morte e aqui estava, com correntes pesadas que me mostravam qual era o meu lugar. Nada mais que um escravo, morrendo por ir contra os meus senhores.
Barrabás,
Eu não procurava por perdão, mas naquele dia…
Naquele dia o filho de um pai retornou para a casa, enquanto o Filho do Pai morreu por mim.
Eu não pedi por perdão, por que até então não sabia que poderia ser perdoado. Não tinha sonhos, porque meu destino já estava selado.
Quem era Barrabás além de mais um dos condenados ao inferno?
Barrabás,
Fechei meus olhos, esperando receber a minha condenação. A minha sentença, a morte.
Mas por não sentir o chicote, abri meus olhos e lá estava você…
Por que morreu por mim? Por que me ama?
Seu sangue caiu sobre mim, não haviam mais marcas em minhas vestes. Pude respirar sem as correntes que antes me prendiam.
Você me deu uma nova identidade, a marca do seu sangue.
Seu amor irresistível preencheu o vazio que existia em mim e só então pude entender quem eu era.
Hoje não sou mais eu, Barrabás.
Apenas Bar Abbas: filho do Pai.
Desejo poder mergulhar nas profundezas, de olhos fechados, sem me preocupar com o que está oculto.
Sentir o mar abraçando meu corpo, como um abraço que pode ser ameaçador ou meu único porto seguro.
Quero esquecer todas as minhas aflições e dar espaço apenas ao brado de angústia, quase inaudível, presente entre as ondas.
Um dia terei o privilégio de sentir que realmente estou viva? Terei a chance de compartilhar com meus amados as experiências e os prazeres que vivenciarei?
A dura e triste realidade continua me arrastando gradualmente para um abismo de emoções, cujas sensações me atingem de maneira inexplicável, impedindo-me de seguir em frente e roubando minha voz.
Apenas suporto em silêncio, carregando o peso das minhas mágoas e levando em mim um vasto oceano de lágrimas.
Por meio de suas pupilas espelhadas, me torno espectador do meu próprio estado de miséria e desesperança.